| Epidemia da Exaustão |
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Conteúdos desenvolvidos pela revista Gingko:
É raro o profissional que não vive momentos de stresse no trabalho. O que pode ser saudável, até determinado ponto. É então que podem surgir casos de burnout, síndrome de exaustão profunda. Mais comum em profissões que lidam directamente com pessoas, como medicina, enfermagem ou educação, alastrou-se a áreas como a gestão, devido à pressão para cumprir metas, cada vez mais exigentes. Na edição deste mês da GINGKO explicamos o que é burnout, quais os sintomas e como preveni-lo. O mote certo para conversar com a consultora e partner da My Change, Maria João Martins, sobre ambientes laborais, mais ou menos saudáveis.
De onde vem o stresse no trabalho? O stresse está directamente relacionado com ambientes de hostilidade e de incerteza. Por vezes nem é só a quantidade que se trabalha, mas o modo como se trabalha, a qualidade das relações nas equipas e o "ar que se respira", que ou não tem oxigénio, ou é mesmo tóxico. Entre 60 a 90% das consultas médicas são originadas por sintomas do stresse. Quando não é tratado, pode afectar seriamente a performance, saúde e bem-estar individual, com consequente reflexo nas equipas.
As empresas multinacionais estão mais sensibilizadas para a importância das condições laborais na saúde dos trabalhadores do que as nacionais? A consciência sobre boas condições de trabalho que impactam a saúde dos trabalhadores não depende da natureza da empresa, nacional ou multinacional, mas da forma como os seus líderes olham para a importância que as pessoas têm na implementação do caminho estratégico. Depende das políticas que respeitam o indivíduo enquanto pessoa, profissional, pai, mãe, amigo, e das iniciativas que se praticam ao longo do dia-a-dia nas coisas mais simples.
Como se traduz, na prática, um bom ambiente laboral? Uma boa condição laboral é sentar-se com os colaboradores para uma comunicação positiva e contar com as suas ideias, em vez de os ignorar. As melhores condições laborais são as que respeitam as pessoas enquanto tal e sabem que os objectivos são mais fáceis de alcançar quando temos como prioridades envolvimento e mobilização. A inteligência colectiva reside de forma acumulada no ADN das pessoas que corporizam a empresa. Vários estudos recentes sugerem que para 40% dos trabalhadores, o trabalho actua como fonte de ansiedade e degradação da qualidade da vida pessoal e familiar.
Tendo em conta o tecido empresarial português, quais os sectores profissionais mais stressantes e exigentes, potenciadores do desenvolvimento de casos de burnout nos colaboradores? Potencialmente todos os sectores podem ter micro ambientes potenciadores de burnout. Não tem tanto a ver com sectores, mas com contextos que funcionam como verdadeiros ecossistemas para determinado tipo de personalidade.
Quais os factores mais potenciadores de burnout? Os profissionais atingidos pela síndrome são pessoas que mergulham fundo no seu trabalho, não sabem dizer não, ocupam-se com várias coisas ao mesmo tempo e têm compulsão para o trabalho, retirando dele grande parte de sua satisfação pessoal. O tipo de personalidade, comportamento de natureza mais ansiosa, significado que é dado ao trabalho, sentimento de perda de controlo, exaustão emocional, falta de realização pessoal, despersonalização e a carga horária excessiva são os factores que mais contam para a propensão de burnout.
E quais as condições essenciais para um ambiente de trabalho saudável e estimulante? Genuinidade, transparência, proximidade, capacidade de "calçar os sapatos do outro" e inovação. Ou seja, convivência num ecossistema onde é possível o sentimento de se renascer, reinventar, alargar o mundo de possibilidades e de oportunidades. Quais os erros mais comuns praticados pelas empresas? O da não comunicação, ausência de envolvimento e contaminação negativa, onde todos se fazem vitimas da situação, não assumindo responsabilidade na mudança das coisas. Quando o discurso negativo é praticados pelos líderes ainda pior, pois o efeito multiplicador que tem nas suas equipas torna-se paralisador. Mesmo nos tempos difíceis, comunicação e mobilização podem ser amigas do encontro de soluções. |

É QUASE INEVITÁVEL SOFRER DE STRESSE NO TRABALHO, MAS QUANDO SE TORNA INCAPACITANTE PODE DESENCADEAR ESTADOS DE BURNOUT, OU SÍNDROME DE EXAUSTÃO. QUE AMBIENTES LABORAIS POTENCIAM ESSE DESGASTE? AS RESPOSTAS DA CONSULTORA MARIA JOÃO MARTINS.