| Saúde bem Servida |
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Conteúdos desenvolvidos pela revista Gingko:
TODOS OS DIAS, A TODAS AS REFEIÇÕES, TOMAMOS DECISÕES QUANTO À NOSSA SAÚDE. ESTUDOS CIENTÍFICOS COMPROVAM QUE DELAS DEPENDE A PROBABILIDADE DE DESENVOLVERMOS CANCRO OU OUTRAS DOENÇAS. A NOSSA SAÚDE ESTÁ NA NOSSA MÃO. OU NO QUE ESTA LEVA À BOCA. “An apple a day, keeps the doctor away” (“Uma maçã por dia, mantém o médico à distância”).
“Nada do que é absorvido pelo nosso corpo, alimento ou medicamento, é inócuo. Tudo traz boas ou más consequências”, diz Serge Jurasunas, médico pioneiro na medicina integrativa e fundador da revista Saúde Actual. Em diversas intervenções e obras publicadas tem defendido a importância determinante daquilo que comemos na construção de uma vida saudável. Fala de uma alimentação racional, que confere aos alimentos a capacidade de reequilibrar e interferir a todos os níveis no ser humano.
No seu livro A Revolução na Saúde lembra que “o Homem moderno prefere pratos pesados, com abundância de gorduras, especialmente gorduras animais, gorduras saturadas, pão e arroz bem brancos, bebidas industrializadas bem recheadas de corantes e conservantes”. E pergunta: “Será que não nos questionamos e não vemos uma ligação entre a doença e os factores alimentares, níveis de poluição e mesmo as condições de stresse em que vivemos?”. Outros autores garantem também esta relação directa entre a alimentação e a saúde ou a doença. Um estudo publicado em Março de 2005 na revista científica americana Journal of Agricultural and Food Chemistry concluiu que os ratos que comem pelo menos uma maçã por dia não desenvolvem cancro da mama, ou, pelo menos, apresentaram reduções no tamanho e no desenvolvimento do tumor quando a doença já está instalada. Segundo Rui Hai Liu, do Cornell Institute, os responsáveis por estes resultados são os flavanóides, grupo principal de polifenóis difundidos na natureza e presentes em alguns alimentos e bebidas de origem vegetal. O efeito protector está associado à actividade antioxidante, antimutagénica e antiinflamatória.
Está provada a relação entre a não ocorrência de doenças cardiovasculares, cancros e doenças degenerativas, e o seu consumo. Os portugueses deverão ser os primeiros a quem este tipo de descobertas interessa, já que todos os anos morrem mais de 30 mil pessoas devido a problemas cardiovasculares. É a principal causa de morte em Portugal, logo seguida por diversas formas de cancro. O da mama é a maior causa de morte por cancro entre as mulheres portuguesas. Podemos acompanhar Serge Jurasunas quando diz: “Saber escolher bem os alimentos que nos mantêm em saúde não é certamente uma alternativa”. Para lhe facilitar a vida a GINGKO pediu ajuda ao nutricionista Rodrigo de Abreu, responsável pelo Atelier de Nutrição (www.saber-comer.com) e elaborou uma listagem onde se associa alimentos à prevenção de algumas patologias. Referimos os problemas cardiovasculares e o cancro pelas razões já apontadas. Acrescentámos a depressão, a diabetes e a osteoporose, já que foram apontadas pela revista americana Harvard Health (no número de Abril de 2008) como sendo dos problemas de saúde mais comuns em todo o mundo.
DOENÇAS CARDIOVASCULARES
Os alimentos ricos em fi bras solúveis, como a aveia, as algas e as maçãs, podem ajudar a baixar os níveis de colesterol no sangue. E o consumo de ácidos gordos essenciais (ómega 3 e 6) presentes nos peixes gordos (salmão e sardinha), nos frutos secos (amêndoas e nozes) e no azeite, parece ajudar a proteger as artérias do risco de coágulos. Tal como os alimentos ricos em antioxidantes, substâncias capazes de neutralizar os radicais livres, protegendo o organismo dos processos de oxidação que se desenvolvem constantemente. Podem encontrar-se nos frutos, legumes e hortaliças, ricos em vitamina C, zinco, selénio, luteína e betacaroteno.
CANCRO
“Segundo alguns estudos, a alimentação poderá estar relacionada com cerca de um terço dos cancros, mas é sempre difícil estabelecer uma relação directa. Ainda assim, há vários indícios de que o consumo regular de alimentos ricos em antioxidantes reduz o risco de se desenvolver cancro”, afirma Rodrigo de Abreu. Deve-se comer legumes e frutos frescos, ricos em vitamina C, como a abóbora, acelga, aipo, alface, bróculos, courgettes, espinafres, tomate, amoras, ananás, arando, kiwi, laranja, limão, morangos, pêra. A vitamina C é bastante sensível à luz, calor, desidratação e confecção dos alimentos, podendo atingir níveis de destruição na ordem dos 70%. Também estão indicados alimentos ricos em betacarotenos e em Vitamina A, como a cenoura e a beterraba, o alho e a cebola. Deve-se evitar: alimentos queimados, fumados ou salgados, e os produtos de charcutaria ricos em nitritos e nitratos, como bacon e outras carnes curadas.
DIABETES
“A principal preocupação com a alimentação do diabético é não deixar os níveis de glicémia subir para valores muito elevados, ou que esta subida seja muito rápida”, indica o nutricionista. São por isso aconselháveis alimentos com hidratos de carbono de assimilação lenta, como as leguminosas (feijão, grão, favas e ervilhas), e cereais integrais presentes no pão escuro, massas e arroz integral, ou nos cereais de pequeno-almoço integrais e pouco açucarados. Deve-se evitar alimentos muito açucarados, como refrigerantes com e sem gás, sumos com adição de açúcar, guloseimas e frutas secas ou cristalizadas.
OSTEOPOROSE
“O combate à osteoporose faz-se sobretudo através da prevenção. Deve-se, assim, ter o cuidado de seguir uma alimentação que inclua as quantidades adequadas de cálcio, mineral importante para os ossos, e de vitamina D, essencial para a fixação do cálcio nos ossos”, lembra Rodrigo de Abreu. O cálcio encontra-se em boas quantidades sobretudo no leite e iogurtes, e também na manteiga e no queijo, mas têm o inconveniente de ter mais gordura. A vitamina D pode encontrar-se em peixes gordos e na gema de ovo. “No entanto, há ainda alimentos enriquecidos artifi cialmente, quer com cálcio quer com vitamina D, como algumas margarinas, leites de soja, etc.”.
DEPRESSÃO
“São muitas as causas da depressão e, obviamente, o efeito da alimentação no seu tratamento é limitado. No entanto, devido justamente à sua ‘perturbação’, a pessoa deprimida pode comer em excesso, ou deixar de comer. Alguns estudos sugerem que carências de vitaminas do complexo B e de minerais como o cobre, magnésio e potássio podem estar relacionadas com a depressão”. E aconselha: alimentos como as carnes magras de frango, peru, vaca e carneiro, o peixe e o marisco podem fornecer nutrientes importantes na prevenção e tratamento da depressão. Deve evitar-se o álcool e o café. |

Estamos na era da alimentação saudável em que, graças à globalização, os conhecimentos se misturam e se completam. Regressamos às origens, guiados tanto pela sabedoria ancestral, passada através de gerações fazendo uso de rimas e ditados, como pelo avanço científico. E acrescentamos frutos e legumes às refeições, em busca de uma vida mais saudável. Afinal, isso é o que importa. Como diz o ditado português, “Quem tem saúde e liberdade, é rico e não o sabe”.




