Doenças cardiovasculares e diabetes - Necessidade de mais conhecimento

O maior Estudo Mundial sobre Doenças Cardiovasculares na Diabetes Tipo 2 revelou a necessidade de mais conhecimento e melhor gestão da doença.

Foram recentemente anunciados os resultados do CAPTURE, um estudo não intervencional a nível mundial destinado a conhecer a prevalência de doenças cardiovasculares, riscos e a sua gestão em pessoas com diabetes tipo 2. Levado a cabo pela Novo Nordisk, o estudo foi o primeiro do seu género e envolveu cerca de 10.000 participantes de 13 países em cinco continentes.

 

ENFARTE E AVC

Entre as principais conclusões, destaca-se o facto de 1 em cada 3 pessoas com diabetes tipo 2 terem doença cardiovascular estabelecida, das quais 9 em cada 10 com doença cardiovascular aterosclerótica.
A doença cardiovascular aterosclerótica é causada pela acumulação de gorduras, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias, estreitando os vasos e diminuindo o fluxo sanguíneo, o que pode levar a episódios graves como o enfarte do miocárdio ou o acidente vascular cerebral.
O estudo CAPTURE destacou ainda que apenas 2 em cada 10 pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica estão a receber tratamento para a redução da glicose com benefícios cardiovasculares comprovados.

 

MAIORIA NÃO ESTÁ A RECEBER TRATAMENTO

“As conclusões do estudo CAPTURE são significativas para qualquer pessoa que esteja envolvida no cuidado de pessoas com diabetes tipo 2. Os dados revelam que, embora a prevalência da doença cardiovascular aterosclerótica na população com diabetes tipo 2 seja elevada, a grande maioria não está a receber tratamentos que comprovadamente reduzem o risco de episódios cardiovasculares potencialmente graves”, afirmou o investigador Dr. Ofri Mosenzon, da Unidade de Diabetes no Centro Médico Hadassah, em Israel. “É crítico que priorizemos as doenças cardiovasculares como fatores-chave na gestão da diabetes tipo 2”, acrescentou. “As pessoas com diabetes tipo 2 necessitam de estar mais conscientes dos seus fatores de risco e os médicos precisam de ser ativos a rastreá-los. Hoje em dia, é possível controlar este risco por meio de tratamentos com benefícios cardiovasculares comprovados, conforme recomendado em várias diretrizes de tratamento”, concluiu o investigador.

 

MAIOR COMPREENSÃO DA DOENÇA

Pela primeira vez, foram recolhidas informações sobre as doenças cardiovasculares na diabetes tipo 2 em contexto de cuidados de saúde primários e hospitalares, o que também demonstra que uma parte significativa das pessoas com diabetes tipo 2 está a ser acompanhada na medicina geral e familiar em conjunto com especialistas em diabetes.
A doença cardiovascular é a principal causa de incapacidade e morte entre pessoas com diabetes tipo 2. Até há pouco tempo, a ligação entre a diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares não era totalmente valorizada à escala global. Após este estudo, os especialistas esperam que, com uma maior compreensão da doença e da sua gestão, os profissionais de saúde adquiram mais conhecimento sobre a forma mais adequada de controlar esta doença e melhorar os resultados dos doentes.

 

Sobre o estudo
CAPTURE é o primeiro estudo não intervencional a nível mundial para conhecer a prevalência de doenças cardiovasculares, riscos e a sua gestão em pessoas com diabetes tipo 2. Os objetivos foram estabelecer a proporção de pessoas que vivem com diabetes tipo 2 e com risco elevado de doenças cardiovasculares e de doenças cardiovasculares ateroscleróticas, e documentar o uso de medicamentos que reduzem o risco cardiovascular em pessoas com diabetes tipo 2 com doença cardiovascular estabelecida.
A doença cardiovascular aterosclerótica foi definida como doença cerebrovascular (incluindo doença da artéria carótida), doença cardíaca coronária e/ou doença arterial periférica.
O estudo CAPTURE, patrocinado pela Novo Nordisk, foi realizado na Argentina, Austrália, Brasil, República Checa, China, França, Hungria, Israel, Itália, Japão, México, Reino da Arábia Saudita e Turquia, e envolveu cerca de 10.000 pessoas com diabetes tipo 2. Os participantes tinham de ter, pelo menos, 18 anos de idade e diagnóstico de diabetes tipo 2 há, pelo menos, 180 dias.

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