Obesidade e qualidade de vida
Tendo em conta que na obesidade alguns fatores de risco são passíveis de serem modificados, entender esses fatores ajuda-nos a identificar potenciais estrtaégias de prevenção.
Pela
Enfª Ana Cristina Almeida Santos Oliveira
Enfermeira na ULSVDL, UCC Pena D’Alva. Mestre em Toxicodependências e Doenças Psicossociais. Sócia GIROHC
Todos nós estamos cientes de que o mundo moderno conduziu ao aparecimento de doenças que podem afetar o nosso bem-estar e qualidade de vida. A obesidade é uma dessas doenças, a qual, devido ao aumento da sua incidência, é considerada pela Organização Mundial de Saúde como a "Epidemia do Século XXI", afetando grande parte da população.
Sendo a obesidade um importante problema de Saúde Pública, traz consigo consequências gravíssimas para a saúde das pessoas e para o aumento das despesas no Serviço Nacional de Saúde.
Riscos e Diagnóstico
Considerada uma doença crónica complexa, a obesidade é caraterizada por um excessivo aumento da gordura corporal, que se vai acumulando no organismo, com grandes riscos para a saúde.
De acordo com a literatura, a etiologia da obesidade é multifatorial, envolvendo fatores internos e externos à pessoa, como: a predisposição genética, ambientais, socioculturais, contexto familiar, características individuais e psicológicas e problemas hormonais (hipotiroidismo).
Esta doença pode levar ao aumento do risco de diabetes mellitus tipo 2, problemas cardiovasculares (hipertensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva, etc.), complicações no sistema respiratório (dispneia, apneia de sono, entre outras), diversos tipos de cancro (mama e próstata), infertilidade, problemas do aparelho locomotor e saúde mental (ansiedade e depressão).
O diagnóstico da obesidade é realizado através da avaliação do peso e altura da pessoa, calculando o índice de massa corporal (IMC = peso em kg/altura em m²) e o perímetro abdominal (PA), através da medição em centímetros da cintura. Em adultos, a OMS define que uma pessoa com IMC entre 25 e 30 é considerado "acima do peso", enquanto um IMC superior a 30 é definido como "obeso".
Má alimentação e sedentarismo
Regra geral, o excesso de peso provoca efeitos nefastos em todas as idades e costuma ser causado por uma alimentação pouco saudável, com o consumo exagerado de alimentos ricos em gorduras saturadas (principalmente as de origem animal), açúcares, produtos refinados e sal. Contudo, o verdadeiro problema não consiste apenas no desequilíbrio entre calorias consumidas e calorias gastas, mas também na pouca prática de atividade física.
Neste âmbito, importa ressaltar que a mudança nos hábitos alimentares que surgiram nos últimos anos, devido ao crescimento na oferta de fast-food e o consumo de refrigerantes e alimentos coloridos, saborosos e baratos, além do sedentarismo associado a longos períodos diante da TV, computador e telemóvel, afetou a saúde em idades mais jovens e está associada a um maior risco e início mais precoce de doenças.
Prevenção desde a infância
Deste modo, além das consequências físicas, devemos ter também em consideração as consequências psicossociais, uma vez que o excesso de peso na criança e jovem pode afetar a sua saúde mental (ansiedade e alteração da imagem que tem do seu próprio corpo) e o desempenho escolar, agravado pelo estigma e o preconceito.
Segundo estudos realizados em crianças com obesidade, há uma grande probabilidade de se tornarem adultos também obesos e com maior risco de desenvolver doenças na idade adulta. Por este motivo, é importante instituir medidas para a prevenção desta doença desde a infância.
Opções de tratamento
O tratamento da obesidade depende da fase de desenvolvimento da doença, podendo envolver três aspetos importantes.
Intervenções no estilo de vida, que incluem a dieta, o exercício físico e a modificação comportamental, são a base para o tratamento da obesidade (Burns, Jay, Thorndike, & Kanjee, 2024).
A cirurgia para a perda de peso, também chamada de cirurgia bariátrica (inclui banda gástrica ajustável, bypass gástrico em Y de Rouen e gastrectomia vertical), continua a ser o tratamento mais eficaz e durável, com benefícios comprovados na redução da mortalidade e na melhoria de outras doenças e da qualidade de vida.
As terapêuticos farmacológicas, que incluem os mais recentes agentes, os agonistas do recetor do peptídeo 1 semelhante ao glucagon, oferece mais opções de tratamento e gestão desta doença (American Gastroenterological Association).
Estratégias de prevenção
O papel dos profissionais de saúde é crucial para o sucesso da gestão e tratamento da obesidade, sendo de extrema importância incluir na equipa multidisciplinar profissionais da área da Psicologia e da Psiquiatria.
Tendo em conta que na obesidade alguns fatores de risco são passíveis de serem modificados, entender esses fatores ajuda-nos a identificar potenciais estratégias de prevenção. Nesse caso, é importante que sejam tomadas precauções e adotadas medidas destinadas à prevenção desta doença, incentivando uma alimentação saudável, mudança do estilo de vida, aumento da prática de exercício físico e manutenção de uma atitude mental positiva.
Face ao exposto, torna-se emergente que os cuidados de saúde na comunidade e a ação de proximidade (autarquias, escolas, locais de trabalho e indústria alimentar) sejam dotadas de recursos para combater esta realidade.
Devemos acreditar que todos nós temos o poder para mudar o nosso estilo de vida e reforçar os nossos próprios processos naturais de cura, no sentido de combater esta doença tão prejudicial.
Devemos acreditar que todos nós temos o poder para mudar o nosso estilo de vida e reforçar os nossos próprios processos naturais de cura, no sentido de combater esta doença tão prejudicial.


